Lucy Hale alphabet  l  A is for Ashley Benson

"Se eu morrer, quero que você chore. Chore muito, chore demais, chore até as suas últimas lágrimas, chore como se o mundo fosse acabar… Mas chore um ou dois dias. No máximo três. Quero que compareça no meu velório e no meu enterro, e se despede de mim. Mas sem dizer “adeus” ou “tchau”, e sim um “até logo” ou “a gente ainda vai se encontrar.” Se eu morrer quero que você viva muito. Saia com os amigos, vá a festas, conheça gente nova, deixe que novos amores chegue… Não que alguém vá me substituir, mas que esteja ao seu lado sempre, te dando força, atenção e todos aqueles carinhos que costumo te dar, sabe? E que esse alguém te faça acima de tudo, muito feliz. Se eu morrer antes da gente se casar e termos filhos, case com outra, tenha filhos com outra, realize todos aqueles nossos sonhos com outra. Tá lembrado né? São quatro filhos, um apartamento beira mar e um casamento na praia. E não se esqueça de cantar nossa música na festa de casamento, ok? Não bebe muito não, porque a música fica horrível quando você canta bêbado. E pelo amor de Deus, penteie seu cabelo pelo menos no casamento, quero te ver mais lindo do que já é. Se eu morrer, jogue tudo que te dei fora. Apague as fotos, rasgue todas aquelas cartas, formate o computador e queime os presentes. Só fique com o aquele cordão de ouro que te dei no nosso 1 ano de namoro, e aquela foto de nós dois na praia fazendo careta. Sabe qual é né? Aquela que estamos lambuzados de protetor solar, e que sempre damos gargalhadas quando a olhamos. É minha preferida! Ela vai te fazer sorrir quando sentir a minha falta. Arrume algumas desculpas para visitar a minha família, eles vão precisar de suporte, e a sua visita fará eles se sentirem bem. Não se esqueça do cachorro, e tem que ser um husky siberiano hein. Você sabe que sou apaixonada por huskys, e até deixo você colocar o nome dele de “Slash”. Não deixe de olhar para o céu nas luas cheias, e se sentir vontade de desabafar, desabafe; mesmo que seja para o nada, eu vou te escutar. Prometo. Mas prometa para mim que não vai entrar em nenhum tipo de vícios e loucuras? Não quero te ver sem rumo na vida, então por favor, se forme, trabalhe e compre aquele carro preto que você tanto quis. Ah, e será Sophia tá? O nome da sua primeira menina. E tenho certeza que ela será tão linda quanto o pai. Se eu morrer, não se esqueça de mim, não se esqueça de nós, não se esqueça de nada. Não me tire da sua cabeça e muito menos do seu coração, e jamais ame alguém da mesma maneira que me amou. E se existir outras vidas, farei de tudo para te reencontrar. Lembra do que eu te disse quando começamos a namorar? “Até que a morte nos separe.” E você respondeu; “Até que a morte nos separe? Que nada, nosso amor é além da morte.” No final das contas até rimos de tudo isso, mas eu realmente levei a sério. Então se caso eu morrer meu amor, não se esqueça; “É além da morte”.


- Com licença.

- Olá, posso ajudar?

- Queria perguntar se posso me sentar com você. Cafeteria lotada.

- Sem problemas, fique a vontade. 

- Obrigada. Hm… Vou pedir um café preto, e você? Vai querer um suco de laranja e waffles?

- Hã? Como sabe que é disso que eu gosto?

- Não sei, apenas deduzi. Até porque, é a especialidade da casa.

- Ah sim, vou querer isso mesmo. Obrigada.

- De nada. Você está bem?

-  Bem, e você?

- Na correria, como sempre

- Correria?

- É, sou colunista do Jornal Regional, sabe como é… Sem tempo para absolutamente nada. 

- Ah entendi.

- Thaís Machado.

- O que?

- Meu nome é Thaís Machado.

- Thaís Machado? Seu nome me parece familiar.

- Deve ter lido algo meu em algum lugar.

- É, pode ser… Me chamo Ariel Pacheco.

- Pacheco? Conheço muitos da família Pacheco

- Pois é, família grande né… Sempre nos deparamos com um Pacheco por ai.

- Verdade. E seus filhos? Como vão?

- Filhos? Não me lembro de ter mencionado eles na conversa. 

- Não disse, mas percebi pelo pingente do seu cordão. 

- Ah sim, é mesmo. Ando com a cabeça ruim. Eles vão bem, graças a Deus. Apenas preocupados comigo. E você? Tem filhos?

- Não, eu não tenho. Sem tempo também. Desculpe a minha curiosidade, mas porque preocupados com você?

- É que nesses últimos anos descobri que sofro de amnésia psicogênica, é uma amnésia temporária. Tenho perdido trechos da minha vida, esquecido amigos, data importantes, lugares… Em casos raros, até volta a memória. Só que nem sempre tenho tanta sorte. Capaz deu não me lembrar de você em breve.

- Eu nem sofro dessa doença, e vivo esquecendo das pessoas.

Elas riem por alguns minutos.

- Você me perdoa se eu não quiser tocar nesse assunto?

- Ah, tudo bem. Desculpe por me intrometer tanto.

- Sem problemas. Mas sinto que te conheço de algum lugar…

- É o que todos dizem.

Mantém um silêncio por alguns minutos e volta a falar.

- Não vai chover esse fim de semana na região sul.

- Desculpe?

- Reparei que está olhando o tempo no jornal, e eu li hoje que não vai chover esse fim de semana na região sul. Vai viajar?

- Visitar meus pais, sair um pouco, me divertir. Ando precisando.

- Vai mesmo, vão adorar. Diz que eu mandei um beijo a eles.

- O que?

- Nada não. Droga, estou atrasada, preciso ir. Toma meu telefone, caso precise de alguém para conversar, vou estar aqui. Ok? Foi um prazer conhecê-la. Até qualquer dia.

- Até. E o prazer é todo meu… Mas quem é você mesmo?

Deixando um bilhete em cima da mesa com o seguinte recado: